A histórica Paróquia de São Luís de Monfort, fundada em 1946 na aldeia de Meza, Ancuabe, foi incendiada a 30 de Abril. É a 118.ª igreja destruída na Diocese de Pemba desde 2017
Um grupo de insurgentes do movimento Ahlu al-Sunna wa al-Jama’a, afiliado ao autodenominado Estado Islâmico, destruiu no passado dia 30 de Abril a Paróquia Católica de São Luís de Monfort, na aldeia de Meza, distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado. A paróquia, fundada em 1946, era um dos mais antigos símbolos da presença cristã na região norte de Moçambique. É a 118.ª igreja destruída na Diocese de Pemba desde o início do conflito, em Outubro de 2017.
Segundo informações confirmadas pelo Bispo da Diocese de Pemba, Dom António Juliasse Ferreira Sandramo, os atacantes chegaram à localidade por volta das 16 horas. Para além do edifício da paróquia, foram completamente destruídos a casa dos missionários, a secretaria paroquial e a escola infantil adjacente. Civis foram capturados e forçados a assistir a discursos de ódio.
O Conselho Autárquico de Quelimane reagiu com uma condenação pública que vai além das declarações de pesar habituais. A mensagem do presidente Manuel de Araújo classifica o ataque como “bárbaro” e descreve a destruição de lugares de culto como um crime contra a alma de um povo, contra a sua identidade espiritual e cultural e contra os valores universais de liberdade religiosa.
Os números acumulados do conflito revelam a dimensão da tragédia. Desde Outubro de 2017, o conflito já causou a morte de mais de 6.300 pessoas, deslocou internamente mais de um milhão de moçambicanos e resultou na destruição das 118 igrejas e capelas na Diocese de Pemba. Mais de 300 católicos foram mortos, na sua maioria por decapitação, entre catequistas, animadores paroquiais e fiéis.
A mensagem de Quelimane subscreve o apelo do Bispo de Pemba à comunidade nacional e internacional para que a situação de Cabo Delgado deixe de ser ignorada. “Já vão perto de nove anos de destruição, sofrimento e morte e o povo desta província continua a clamar pela protecção efectiva, pela justiça e por uma paz duradoura”, afirma o comunicado autárquico.
O Conselho Autárquico solidariza-se com as populações de Cabo Delgado, com a Diocese de Pemba e com os missionários que continuam a servir as comunidades locais em condições de risco permanente, e apela para que a reconstrução que se seguir seja símbolo de um compromisso renovado com a vida, a liberdade e a dignidade humana.

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