A Dra. Thera Rosalina Tobias Joaquim Dai foi eleita Bastonária da OAM para o mandato 2026–2029, quebrando três décadas de liderança exclusivamente masculina. O Município de Quelimane felicitou a eleição e reafirmou a sua disponibilidade para aprofundar a parceria entre poder local e instituições de justiça.
Trinta e dois anos depois da sua fundação, a Ordem dos Advogados de Moçambique tem, pela primeira vez, uma mulher à sua frente. A eleição da Dra. Thera Rosalina Tobias Joaquim Dai para o cargo de Bastonária, para o mandato 2026–2029, é um marco que vai além do protocolo institucional — é um sinal de que algo está a mudar, ainda que tardiamente, nas estruturas de poder da classe jurídica moçambicana.
A notícia chegou acompanhada de uma felicitação formal do Presidente do Conselho Autárquico de Quelimane, Professor Doutor Manuel de Araújo, endereçada à nova Bastonária e aos membros do Conselho Directivo recentemente eleitos. Na mensagem, datada de 29 de Abril de 2026, Manuel de Araújo saudou a eleição como “um facto histórico” e uma “mensagem de renovação, de confiança e de abertura a um capítulo novo na vida da Ordem”.
“A eleição de Vossa Excelência — a primeira de uma mulher em trinta e dois anos de existência desta nobre instituição — não é apenas um facto histórico. É também uma mensagem de renovação.”
— Prof. Dr. Manuel de Araújo, Presidente do Conselho Autárquico de Quelimane
A Ordem dos Advogados de Moçambique existe, por mandato constitucional, para garantir que a lei não é apenas norma escrita, mas instrumento vivo ao serviço do cidadão. Cabe-lhe assegurar a ética na representação jurídica e defender os direitos, liberdades e garantias que sustentam a democracia moçambicana. Num país onde o sistema de justiça enfrenta desafios estruturais profundos — desde a lentidão dos tribunais à desconfiança cidadã nas instituições — a qualidade e a independência da liderança da OAM não são questões de somenos.
A felicitação de Quelimane não ficou pelos votos de circunstância. Manuel de Araújo reafirmou a disponibilidade do município para aprofundar a parceria com a Ordem, argumentando que “a boa governação local não se constrói em isolamento” e que os advogados são “parceiros naturais do poder local na defesa da legalidade das decisões municipais, na protecção dos direitos dos munícipes e na promoção da transparência na gestão do interesse público”.
A linguagem é diplomática, mas o argumento tem substância: municípios sem acesso a assessoria jurídica de qualidade e sem uma cultura de legalidade consolidada são municípios vulneráveis — a decisões mal fundamentadas, a abusos de poder e a litígios que consomem recursos públicos escassos. Que Quelimane sinalize interesse nessa articulação é, em si mesmo, relevante.
“Votos de coragem para as decisões difíceis, de isenção perante as pressões que a vida institucional inevitavelmente traz, e de visão para transformar a Ordem numa estrutura mais inclusiva e mais presente nas regiões do país.”
— Prof. Dr. Manuel de Araújo, na mensagem de felicitação à nova Bastonária
O mandato da Dra. Thera Rosalina Tobias Joaquim Dai começa sob o peso simbólico do que representa — e sob a expectativa de quem acredita que a mudança no topo pode traduzir-se em mudanças reais no funcionamento da instituição. A OAM tem sido, ao longo dos anos, criticada por uma presença insuficiente nas províncias, por uma resposta lenta em casos disciplinares e por uma voz pública que nem sempre acompanhou a urgência dos momentos políticos do país.
Se a nova Bastonária conseguirá alterar esse quadro — tornando a Ordem mais presente nas regiões, mais ágil na defesa dos seus membros e mais audível no debate público sobre o Estado de Direito — é uma pergunta que apenas o tempo e o trabalho diário responderão. O Savana acompanhará.

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