Cultura e Vida

“Quelimane não é periférica à lusofonia, é um dos seus centros vitais”

No Dia Mundial da Língua Portuguesa, o Município homenageia o Clube de Leitura e a Associação de Escritores da Zambézia, reafirmando a…

“Quelimane não é periférica à lusofonia, é um dos seus centros vitais”
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No Dia Mundial da Língua Portuguesa, o Município homenageia o Clube de Leitura e a Associação de Escritores da Zambézia, reafirmando a identidade cultural da

 

Com 265 milhões de falantes no mundo e projecções que apontam para a duplicação desse número até ao final do século, o português é hoje a quinta língua mais falada no planeta. Quelimane não quer ser apenas espectadora deste facto geopolítico. Quer ser parte activa dele.

Foi com esse espírito que o Conselho Autárquico da Cidade de Quelimane divulgou neste 5 de Maio, Dia Mundial da Língua Portuguesa, uma mensagem que reconhece as organizações culturais locais como guardiãs de uma tradição literária que ultrapassa as fronteiras da Zambézia.

Entre os destinatários de reconhecimento explícito está o Clube de Leitura de Quelimane (CLQ), fundado em Fevereiro de 2022 e que em poucos anos construiu uma presença cultural assinalável: sessões de leitura pública, concursos literários escolares, oficinas de escrita criativa e a edição da Revista Kilimar de Artes e Letras, distribuída gratuitamente pela comunidade lusófona. Em 2025, o CLQ foi distinguido com o Prémio Maria das Neves Rebelo de Sousa, na sexta edição, atribuído pela Câmara de Comércio Portugal-Moçambique, no valor de sete mil e quinhentos euros.

A Associação de Escritores da Zambézia recebe também reconhecimento explícito na mensagem municipal. O texto descreve a associação como guardiã de uma voz literária própria, enraizada na terra, sensível às margens que a literatura nacional por vezes esquece. “Escrever bem a partir da Zambézia é um acto de resistência e de afirmação”, sublinha o comunicado.

Manuel de Araújo, presidente do Conselho Autárquico, reflecte sobre a relação entre o português e as línguas nacionais da região, nomeadamente o Chuabo, o Lomwe e o Makua. Para o autarca, essa coexistência não é uma fragilidade do idioma, mas uma riqueza que o renova. “Os melhores escritores moçambicanos sempre souberam que a força da língua portuguesa em África reside exactamente nessa capacidade de se deixar habitar por outras memórias”, cita a mensagem, evocando figuras como Noémia de Sousa e Mia Couto.

A mensagem lembra ainda que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que instituiu a data em 2009, e a UNESCO, que a proclamou data mundial em 2019, discutem a entrada do português como língua oficial das Nações Unidas até 2030. O Município de Quelimane vê nesse debate um sinal da maturidade crescente da lusofonia como espaço de influência e cooperação.

O Conselho Autárquico encerra com uma declaração de intenções: apoiar os agentes culturais locais, garantir que os livros cheguem às crianças de todos os bairros e defender um espaço público onde a criação literária seja valorizada. “Uma cidade que lê é uma cidade que pensa. Uma cidade que escreve é uma cidade que diz quem é”, conclui o texto.

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