O Conselho Autárquico reconhece o papel do General Afonso Dhlakama na construção do pluralismo democrático moçambicano e saúda a juventude da RENAMO no seu dia
O dia 3 de Maio de 2026 assinalou oito anos sobre a morte do General Afonso Macacho Marceta Dhlakama, fundador e líder da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) por quase quatro décadas. O Conselho Autárquico de Quelimane escolheu assinalar a data com uma mensagem que, sem ignorar a complexidade do percurso político de Dhlakama, reconhece o papel que desempenhou na abertura democrática de Moçambique.
Na mensagem assinada pelo presidente Manuel de Araújo, a autarquia afirma que “qualquer avaliação honesta da história moçambicana contemporânea terá de incluir, com rigor e equidade, o papel que Afonso Dhlakama desempenhou tanto nos momentos de conflito como nos momentos de reconciliação”. A referência ao Acordo Geral de Paz de Roma, assinado a 4 de Outubro de 1992, que pôs fim a dezasseis anos de guerra civil, é central na argumentação: Dhlakama é reconhecido como uma das assinaturas fundamentais desse compromisso histórico.
Dhlakama nasceu a 1 de Janeiro de 1953 na região de Mangunde, distrito de Chibabava, na província de Sofala, e assumiu a liderança da RENAMO em 1979, após a morte em combate do fundador do movimento, André Matsangaíssa. Faleceu a 3 de Maio de 2018, nas matas da Gorongosa, em consequência de complicações de saúde, durante negociações de paz com o Governo moçambicano.
A mensagem do Município de Quelimane é relevante pela linguagem que usa: não é um texto de partido, mas uma declaração de um órgão do Estado sobre um líder da oposição. A autarquia afirma que “o pluralismo democrático que hoje vivemos — com todos os seus desafios e imperfeições — é também fruto desse compromisso histórico” e defende que “as sociedades crescem quando são capazes de olhar para o seu passado com maturidade”.
Dois dias depois, a 5 de Maio, o Conselho Autárquico dirigiu uma mensagem aos jovens da RENAMO no Dia da Liga da Juventude da Resistência Nacional Moçambicana (L.J.R.), saudando a organização como congrega jovens comprometidos com os valores da democracia, da paz e dos direitos humanos.
Nessa segunda mensagem, o autarca reafirma que as portas do Município estão abertas para o diálogo com todas as sensibilidades políticas representadas na cidade: “Quelimane constrói-se com a contribuição de todos os seus cidadãos, independentemente do partido, da origem ou da convicção.” O texto desafia os jovens a recusar a violência política, exigir transparência e construir pontes de diálogo.

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