A Feira da Moda do estilista Cafridjah realizou-se no sábado no Centro Cultural Bons Sinais e foi muito além do esperado — mesmo com chuva a cair de forma inesperada. O evento confirma que há um público para a moda criativa na Zambézia, e que esse público não precisa de sol garantido para aparecer.
A chuva chegou sem avisar. Mas o público de Cafridjah também já estava lá — e não saiu. A Feira da Moda do estilista zambeziano, realizada no sábado no Centro Cultural Bons Sinais (CCBS), em Quelimane, foi descrita como muito concorrida, superando todas as expectativas, incluindo, presumivelmente, as do próprio criador.
Num país onde os eventos culturais frequentemente lutam contra a apatia do público, contra o mau tempo e contra a falta de divulgação, uma feira de moda que resiste à chuva e ainda assim se revela bem frequentada merece ser lida como sinal. Não de um milagre, mas de algo mais duradouro: de que existe em Quelimane uma comunidade de pessoas interessadas em moda, em criatividade local e em espaços onde a identidade estética zambeziana pode ser explorada e celebrada.
“Apesar da chuva que se fez inesperadamente sentir, a Feira da Moda foi muito concorrida, superando todas as expectativas.”
— Relato do evento
Cafridjah não é um nome novo no circuito criativo da Zambézia. O estilista tem construído, com os meios disponíveis e com a tenacidade que caracteriza os criadores que trabalham fora dos grandes centros, uma proposta estética própria. A Feira da Moda no CCBS é mais um passo nessa afirmação — e o facto de ter sido realizada num espaço cultural de referência como o Centro Cultural Bons Sinais não é detalhe menor: é uma escolha que posiciona a moda como expressão cultural e não apenas como comércio.
O que se viu na passarela? Que tecidos, que cortes, que influências? O TXOPELA não dispõe ainda de um registo fotográfico completo nem de declarações do estilista para esta edição. São lacunas que procuraremos colmatar. Mas o essencial já ficou registado: a Feira aconteceu, resistiu à chuva, e Quelimane compareceu.
Numa cidade que raramente vê os seus criadores de moda celebrados com o mesmo entusiasmo que se reserva para os artistas musicais, o sucesso desta feira abre uma pergunta pertinente: haverá vontade — institucional, empresarial, comunitária — para tornar este tipo de evento uma presença regular no calendário cultural da Zambézia? Cafridjah abriu a porta. Cabe a outros ajudar a mantê-la aberta.

Deixe um comentário