Reportagem: Marcelino Voabil | Edição e Imagens: Paulino Ripua Jr.
QUELIMANE – Vendedores de produtos diversos no Mercado de Brandão decidiram suspender o pagamento das taxas diárias aos fiscais do Conselho Municipal de Quelimane. A medida surge como forma de protesto contra o acúmulo de lixo que fustiga aquele local de trocas comerciais há mais de quatro dias, sem que haja qualquer intervenção das equipas de limpeza da EMUSA.
Como as imagens documentam, o cenário é desolador. Grandes quantidades de lixo doméstico e resíduos sólidos estão acumulados no entroncamento de acesso aos bairros Santagua e Brandão. O foco de poluição localiza-se precisamente na estrada em reabilitação para quem segue em direção à zona da Quarta Esquadra, dificultando não só a actividade comercial, mas também o trânsito de viaturas e peões.
A nossa reportagem ouviu os principais afetados, que expressam um sentimento de indignação perante a insalubridade:
“Não podemos trabalhar nestas condições. O cheiro é insuportável e os clientes não aparecem. Enquanto o lixo estiver aqui, o dinheiro das taxas também não sai.”
“A edilidade exige o pagamento todos os dias, mas não cumpre com a sua parte. O mercado está sufocado pelo lixo e ninguém vem recolher.”
“A responsabilidade também é dos moradores dos bairros vizinhos. Eles vêm depositar o lixo de forma inadequada, atiram tudo ao chão em vez de usarem o contentor.”
A última entrevistada realçou que o problema é crónico e agravado pela falta de infraestrutura. Segundo a vendedeira, o mercado é vasto e o volume de resíduos — tanto o produzido internamente como o trazido pelos moradores das redondezas — exige, no mínimo, a colocação de mais um contentor para dar vazão à demanda.
Ultimato à Edilidade
A posição dos comerciantes é clara e unânime: o boicote fiscal vai continuar.
“Enquanto o lixo continuar ali, nenhum dos comerciantes pagará as taxas diárias exigidas pela edilidade. Só voltaremos a contribuir assim que os resíduos sólidos forem removidos e o mercado estiver limpo.”
Até ao fecho desta reportagem, o monte de resíduos permanecia no local, aguardando pela resposta das autoridades municipais de Quelimane.
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