O Hospital Central de Quelimane (HCQ) testemunhou, na tarde da última quinta-feira, um daqueles raros momentos em que a frieza dos corredores hospitalares cede lugar ao calor do reconhecimento humano. O Dr. Zefanias Carlos Zefanias, até aqui uma peça fulcral na engrenagem da Ortopedia, foi homenageado pelos seus pares num acto que marcou a sua transição para o cargo de Director Clínico da maior unidade sanitária da Zambézia.
A cerimónia, embora carregada de simbolismo afectivo, serviu também para sublinhar o perfil de um profissional que, num sector tantas vezes fustigado por carências e pressões críticas, logrou manter o selo da disciplina e do rigor ético.
Entre os depoimentos de colegas de sector e da Directora de Enfermagem, o fio condutor foi a capacidade de liderança do Dr. Zefanias. No Serviço de Ortopedia, onde a precisão é a regra de sobrevivência, o agora Director Clínico foi descrito como um “líder exemplar”, cuja postura firme moldou o ambiente de trabalho e elevou o padrão de atendimento aos pacientes.
“Pautou-se sempre pelo compromisso e sentido de responsabilidade, qualidades que engrandecem a instituição”, referiram intervenientes, numa clara alusão à necessidade de replicar esse modelo de gestão agora a uma escala hospitalar.
Humildade e os Desafios da “Cadeira Quente”
No seu discurso de despedida — que soou mais a um compromisso de continuidade —, Zefanias não escondeu a emoção. O clínico destacou o “espírito de família” que encontrou na Ortopedia, frisando que os laços ali criados transcendem a prática médica.
Contudo, o momento foi também de realismo. Consciente de que a Direcção Clínica é uma função de elevada exposição e complexidade técnica e administrativa, o homenageado aproveitou para lançar um apelo: união. Zefanias sabe que, no tabuleiro do HCQ, o sucesso da sua missão dependerá da colaboração estreita entre os diversos sectores.
Houve ainda espaço para a gratidão institucional e pessoal, com o novo Director Clínico a destacar o papel do Dr. Kaba, mentor a quem atribuiu uma influência determinante na sua trajectória e no encorajamento necessário para aceitar as novas funções.
A transição ocorre num momento em que o sistema de saúde na província enfrenta desafios estruturais contínuos. A ascensão de um quadro “da casa”, respeitado pela base técnica e pela enfermagem, é vista como um sinal positivo para a estabilidade do HCQ.
A cerimónia terminou com aplausos, mas o eco que ficou no ar foi o da responsabilidade. Zefanias deixa o bisturi da ortopedia para assumir a “gestão da saúde” de milhares, num percurso que se pretende sólido e, acima de tudo, humano.
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